Olhando em frente : Como os Cães Enxergam o mundo durante o dia e à noite

Ao observarmos nossos cachorros, frequentemente nos questionamos sobre a percepção deles em relação ao ambiente. A expressão “Olhando em frente” nos convida a compreender a visão canina, em suas particularidades considerando os aspectos por trás de sua percepção diurna e noturna.

A compreensão de como os cães enxergam o mundo é necessária para oferecer a eles um ambiente adequado para fortalecer o convívio entre humanos e cães, e influenciar as interações cotidianas e até mesmo o treinamento desses animais de estimação. Ao abraçarmos a perspectiva visual canina, podemos cultivar uma convivência mais empática e satisfatória.

Observaremos juntos como os cães enxergam durante o dia, destacando as nuances do período diurno e as adaptações que os tornam hábeis buscadores. Em seguida, abordaremos a fase noturna,  e a capacidade de enxergarem no escuro.

Além disso, veremos como o olfato e a audição se entrelaçam com a visão, formando uma sinfonia sensorial que define a experiência do mundo para os cães. Ao revermos alguns equívocos comuns sobre a visualização canina, buscamos oferecer uma perspectiva mais clara e informada sobre esse aspecto do universo canino.

Juntos, iremos perceber o mundo através dos olhos aguçados e curiosos dos nossos cãezinhos, iluminando um caminho para uma convivência mais compreensiva.

Visão Diurna 

Diferentemente dos humanos, os cães possuem características oculares adaptadas ao seu estilo de vida. Para compreender a visão diurna dos cães, é preciso observar os olhos desses animais. Ao analisar a disposição de suas pupilas, a quantidade de células fotossensíveis e outras características oculares, temos informações sobre como esses animais veem o mundo durante o dia. As pupilas, por exemplo, são mais largas, permitindo a entrada de mais luz, o que é uma adaptação para a luminosidade do dia. Além disso, eles contém mais células especializadas na detecção de luz, contribuindo para uma visão mais apurada.

Contrariando o que se dizia no passado, a visão de cores dos cães difere dos humanos. Entender a gama de cores percebidas por eles, ajuda-nos a compreender como o mundo se desdobra diante de seus olhos. A visibilidade diurna o auxilia em suas interações diárias, desde identificar alimentos até reconhecer outros animais, eles dependem dela para interpretar o mundo ao seu redor. Analisaremos como os cães utilizam sua visão diurna para circular pelo ambiente, identificar objetos familiares e responder a estímulos visuais que moldam seu comportamento diário.

Diferenças 

Ao contrário dos humanos, a percepção de cores dos cachorros é limitada, sendo predominantemente composta por tons de azul e amarelo. A ausência de receptores de células cones que reconhecem ao vermelho, faz sua visão cromática menos diversificada. No entanto, essa limitação é compensada por uma maior sensibilidade ao movimento e contrastes, tornando-os proficientes na detecção de objetos em movimento durante o dia.  Eles usam essa habilidade para identificar objetos, membros da matilha e outros movimentos relevantes em seu entorno. Enxergar nitidamente durante o dia permite que eles interpretem sinais visuais, como gestos corporais e expressões faciais, facilitando a comunicação com outros animais e seus tutores.

Adaptações Visuais para Atividades de Busca e Atividades Diurnas

A busca por alimentos e a realização de atividades diurnas específicas exigem ajustes visuais nos cães e a visão diurna é otimizada para atividades como brincadeiras ao ar livre e interações sociais durante o dia. Compreender essas adaptações oferece um olhar sobre a vida cotidiana e a relevância em diversas situações.

Ao revelar aspectos da visão diurna dos cães, ganhamos uma apreciação mais profunda da maneira como esses animais interagem com o mundo durante as horas iluminadas pelo sol.

Passeio no parque:

Durante um passeio, os cachorros enxergam em uma gama de cores menor em comparação com os humanos. Seu mundo visual é predominantemente composto por tons de azul e amarelo. Cores como vermelho e verde podem parecer menos intensas para eles, porém, podem detectar até mesmo movimentos sutis, como folhas se movendo ao vento ou pequenos animais na vegetação. Essa habilidade é um reflexo da adaptação de seus olhos para perceber o movimento e além disso estão constantemente cheirando o ar, o solo e outros objetos para obter informações detalhadas sobre o que está ao seu redor além de terem uma capacidade de adaptação rápida às mudanças de luminosidade, o que é útil quando estão sob a cobertura das folhas das árvores ou se movem entre áreas iluminadas e sombreadas.

Os alimentos

Embora não percebam a gama completa de cores como os humanos, os cachorros ainda conseguem distinguir algumas variações de tonalidades. Por exemplo, podem perceber a diferença entre um alimento amarelo e um azul. Eles têm uma visão mais voltada para contrastes do que para detalhes. Isso significa que são capazes de identificar diferenças de brilho e escuridão, o que facilita a distinção entre objetos, incluindo alimentos, com base na intensidade de luz e mesmo antes de verem um alimento, podem detectar seus odores distintos. O olfato ajuda na identificação do tipo de alimento e na avaliação de seu frescor e sabor. A experiência e o aprendizado desenvolvem a capacidade dos cachorros de diferenciar alimentos, eles aprendem a reconhecer visualmente certos tipos de comida com base em repetidas experiências associadas a odores específicos e gostos.

Visão Noturna 

Para compreender a habilidade noturna dos cães, é preciso entender algumas características. Possuindo pupilas maiores e uma alta concentração de estruturas fotossensíveis, os cachorros captam eficientemente a luz em condições de baixa luminosidade. Além disso, uma camada retrorrefletora amplifica a luz disponível, maximizando a visibilidade.

Os cães são hábeis na detecção de movimentos durante a noite. Sua capacidade noturna é otimizada para identificar objetos em movimento, proporcionando uma vantagem em situações de atividades no escuro. A combinação de uma alta sensibilidade ao movimento e uma habilidade aprimorada para distinguir variações de luz contribui para sua destreza.

Comportamento Canino dentro de Casa 

A habilidade noturna aparece dentro de casa e influencia diretamente o comportamento dos cães durante a noite. Eles circulam facilmente em ambientes domésticos mesmo sob iluminação reduzida, o que é útil para evitar obstáculos. Além disso, essa capacidade contribui para a sensação de confiança dos cães, influenciando comportamentos como verificação do entorno e resposta a estímulos. Eles são capazes de memorizar o layout de suas casas e ao se movimentarem no escuro, podem confiar em seu olfato para identificar áreas familiares e evitar trajetos desconhecidos. A memória espacial também desempenha um papel relevante, permitindo que recordem a localização de móveis e outros elementos do ambiente; os que vivem em casas e apartamentos específicos por longos períodos tendem a se familiarizar com a configuração dos espaços. Com o tempo, aprendem a contornar móveis mesmo quando as luzes estão apagadas.

A capacidade tátil dos cães é outra habilidade que os ajuda a evitar os móveis pelo caminho. Eles têm pelos vibrissas, ou “bigodes”, que são bastante sensíveis ao toque e vibrações. Isso os ajuda a sentir a proximidade de objetos ao seu redor, auxiliando na circulação no escuro.

Diferenças entre a Visão Noturna Canina e Humana

Ao comparar a visão noturna dos caninos com a dos humanos, destacam-se grandes diferenças. Os cachorros superam os humanos em termos de sensibilidade ao movimento e detecção de objetos em condições de baixa luz. Embora os humanos possam usar dispositivos noturnos para compensar, a habilidade natural dos cães os posiciona como bons visualizadores noturnos sem a necessidade de auxílios tecnológicos.

Observar a habilidade noturna dos cachorros nos proporciona uma apreciação mais profunda da adaptação que lhes permite interagir com o ambiente noturno. Essa habilidade influencia não apenas seu comportamento ao ar livre, mas também seu papel como membro da família em casa durante as horas escuras.

O Olfato e Audição como coadjuvantes

Os cães são dotados de uma capacidade olfativa que supera em muito a dos humanos. Seus focinhos possuem receptores olfativos, permitindo-lhes detectar odores em concentrações mínimas. Essa habilidade os ajuda a identificar alimentos, rastrear e reconhecer indivíduos.

Enquanto a visão noturna é muito aumentada, ela é complementada pelo olfato e pela audição. O olfato, em particular, é preponderante na interpretação do ambiente; a capacidade de distinguir diferentes odores permite que eles formem mapas olfativos, identificando territórios, odores familiares e percebendo mudanças no ambiente.

A audição aguçada também é um sentido auxiliar. Eles podem ouvir frequências mais altas que os humanos e captar sons a distâncias consideráveis. Isso auxilia na comunicação com outros animais e na compreensão de instruções de seus tutores.

Como Esses Sentidos Trabalham Juntos para Formar uma Imagem Completa do Mundo

Ao seguir uma trilha, os cachorros usam seu olfato para sentir os cheiros. A audição também é relevante, permitindo que ouçam movimentos sutis que indicam a localização do que procuram.

Comportamento Social: Na interação com outros cães, o olfato e a audição são bons auxiliares;  Cheirar é uma forma de comunicação, permitindo que reconheçam uns aos outros e entendam informações sobre o estado de seus companheiros.

Eles também utilizam sua audição para perceber a aproximação de pessoas ou outros animais. O olfato também pode detectar mudanças no ambiente que indicam alguma alteração.

Experiências cotidianas

Mesmo em atividades diárias simples, como uma caminhada, usam seu olfato para perceber o ambiente, identificar outros animais e mudanças na atmosfera. A audição complementa essas experiências, fornecendo informações sonoras sobre o ambiente circundante.

Ao reconhecer a interconexão desses sentidos, ganhamos uma compreensão de como os cães percebem e interagem com o mundo ao seu redor. Sua capacidade de integrar visão, olfato e audição cria uma experiência sensorial complexa que molda sua resposta ao ambiente.

Comportamentos Típicos durante o Dia e à Noite

Os comportamentos dos cães variam ao longo do dia, influenciados por sua visão adaptada a diferentes condições de luminosidade. Durante o dia, são mais ativos visualmente, engajando-se em atividades como brincadeiras ao ar livre e interações sociais mais visuais. À noite, sua visualização noturna aprimorada influencia comportamentos como a verificação do espaço,  e uma maior utilização de outros sentidos, como olfato e audição.

Sono

Durante as horas diurnas, tendem a ter períodos de sono mais curtos e fragmentados. Isso está associado à natureza crepuscular de alguns cães, que são mais ativos ao amanhecer e entardecer. Muitos aproveitam as horas diurnas para sestas curtas entre períodos de atividade, especialmente se estiverem em ambientes mais iluminados.

À noite, os comportamentos relacionados ao sono frequentemente mudam. Eles têm uma propensão a períodos de sono mais longos e contínuos, muitas vezes alinhados ao padrão de sono noturno de seus tutores. A escuridão natural influencia o estímulo ao descanso mais profundo, e os cães podem procurar locais mais escuros e tranquilos para acomodar suas necessidades de sono noturno.

Interação com Outros animais e Seres Humanos

Durante o dia, a comunicação visual, como expressões faciais e gestos corporais, é utilizada para a compreensão das intenções de outros cachorros e seres humanos. À noite, a adaptação para a visão noturna pode influenciar as dinâmicas sociais, destacando a percepção de sinais sonoros e olfativos para uma comunicação eficaz.

Ao treiná-los é preciso considerar sua percepção visual para uma comunicação eficaz e resultados positivos. Durante o treinamento diurno, usar instruções visuais pode ser mais eficiente, aproveitando a capacidade de interpretar gestos e expressões. À noite, utilize estímulos sonoros e olfativos nos treinamentos, reconhecendo a maior utilidade desses sentidos nesse período.

Adaptar instruções levando em conta a visão dos cães promove uma compreensão mais abrangente entre tutores e animais de estimação, fortalecendo os laços e facilitando uma interação harmoniosa. Essa abordagem pode  contribuir no treinamento, e em uma convivência mais compreensiva em diversas situações.

O comportamento canino é amplo, influenciado por uma combinação de fatores, incluindo visão, olfato, audição e experiências individuais. Observa-lo continuamente nos  cachorros, com  pistas visuais, sinais sonoros e mudanças permite dar-lhes uma resposta proativa às suas necessidades e preferências.

Em última análise, ao reconhecer e respeitar a perspectiva visual dos cães, os tutores podem criar ambientes e relações significativas. A jornada de compreensão contínua do comportamento canino é a necessário para proporcionar aos cães uma vida confortável  estabelecendo um vínculo duradouro baseado no respeito e na empatia.